Depressão em Idosos x Atividade Física

Depressão em Idosos X Atividade Física

O fato do paciente com a depressão permanecer no

leito por muito tempo, sem praticar atividade física, traz

prejuízos acentuados à saúde geral, particularmente no

idoso. Do ponto de vista biológico, a não mobilidade

física compromete a atividade pulmonar e isto leva ao

acúmulo de secreções nas vias respiratórias,

predispondo o idoso a desenvolver pneumonias

bacterianas. A permanência excessiva no leito, somada

à lentificação psicomotora que a depressão provoca,

com frequência desmotiva o idoso andar ou praticar

exercícios físicos, e isto leva ao descontrole da pressão

arterial com agravamento do quadro hipertensivo, além

do comprometimento da circulação periférica, da

perfusão cerebral e do próprio funcionamento cardíaco.

artrose e outros distúrbios articulares também se

agravam devido à falta de atividade física do idoso

deprimido.

Segundo Cooper (1982), o exercício físico, em

particular o chamado aeróbio, realizado com

intensidade moderada e longa duração (a partir de 30

minutos) propicia alívio do estresse ou tensão, devido a

um aumento da taxa de um conjunto de hormônios

denominados endorfinas que agem sobre o sistema

nervoso, reduzindo o impacto estressor do ambiente e

com isso pode prevenir ou reduzir transtornos

depressivos, o que é comprovado por vários estudos.

Em um estudo desenvolvido por Blumenthal et al.

(1999), 156 idosos com desordem depressiva principal

(maior ou igual a 13 na escala de Hamilton), com

duração de 4 meses, foram divididos em três grupos:

Grupo de Medicamento (GM) – cloridrato de sertralina

(inibidor seletivo de recaptura de serotonina); Grupo de

Exercício (GE) – a uma intensidade de 70 a 85% da

freqüência cardíaca de reserva, com duração de 45

minutos (10 minutos de aquecimento; 30 minutos

pedalando ou andando forçadamente ou correndo

levemente; 5 minutos de volta à calma), com 3 sessões

semanais, e Grupo Combinado – medicamento

associado ao exercício. Ao final de 16 semanas, os três

grupos apresentaram resultados semelhantes, com

redução dos níveis de depressão, conquanto os

pacientes sob medicamento tenham mostrado uma

resposta inicial mais rápida. Os autores concluem que a

atividade física regular deve ser considerada como uma

alternativa não-farmacológica do tratamento do

transtorno depressivo. Estes mesmos sujeitos foram

acompanhados durante os seis meses seguintes,

concluindo-se, ao final, que os sujeitos do GE

apresentaram menores taxas de recaída que os sujeitos

do GM, evidenciando que a terapia através da atividade

física é viável e é associada com benefício terapêutico,

especialmente se o exercício é mantido ao longo do

tempo (Babyak et al., 2000). Miranda et al. (1996)

também verificaram, em 27 idosos com média de idade

de 70 anos, que 45 minutos de atividade física aeróbia

diminuíram a tensão e a depressão.

A atividade física regular deve ser considerada

como uma alternativa não-farmacológica do tratamento

do transtorno depressivo. O exercício físico apresenta,

em relação ao tratamento medicamentoso, a vantagem

de não apresentar efeitos colaterais indesejáveis, além

de sua prática demandar, um maior

comprometimento ativo por parte do paciente que pode

resultar na melhoria da autoestima e autoconfiança.